Escritas

O Seio Jovem

António Ramos Rosa Ano: 5759
O seio jovem,
móvel repouso de onda
e de universo
que tudo diz em sua redondez
e no côncavo escuro o olhar elide.

Diferença pura
em que o olhar não sustém
o seio a apagar-se
em branco esplendor.

Por isso se olha de novo
e de o ver não se vê.
Quem o vê quer vê-lo.

Vê-lo é só desejo
de vê-lo?
Ou de anular tudo o mais?
Ser só o olhar de um seio?

Ser só o branco círculo
túmido, girando
até à louca perfeição
da felicidade?

Mas quem o vê não o vê.
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