Escritas

Lanço Uma Linha Ao Vento Lanço Um Lado

António Ramos Rosa Ano: 5758
Lanço uma linha ao vento lanço um lado
de hesitação e de não vontade
como se o desejo me abandonasse abandono-me
até ao desamparo de não saber soltar-me

Mais do que solto aberto e fracturado
no nulo e raso vão em que estremece o branco
vazio de nada ser desejo e mão e corpo
ó fuga de memória sem o ardor da seiva

Não sei qual é o lado onde é só oco e oco
e todo o material se dilui no branco
e todo o horror no não-grito e no espanto

de avançar como cego no desejo de uma árvore
que repentina e fresca abrisse o horizonte
e fosse todo o espaço e todo o mar
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