Escritas

Não Creio Noutra Palavra Que Nasça Doutro Olhar.

António Ramos Rosa Ano: 5754
Não creio noutra palavra que nasça doutro olhar.
Não creio noutro silêncio que não seja o da água
e deste odor de ferro numa ondulante marcha
até à fonte do ar junto às muralhas frescas.

Não creio noutra palavra que não seja a palavra
do teu outono fulvo, amadurecido.
A secura é cruel, mas tu sustentas o canto
de um espanto ainda maior e o depões no silêncio.

Os dois lados do rosto, dilacerados, loucos,
despertam os vales e as montanhas agrestes.
Cavalgas com a pausa e a fúria do alimento

que faz girar os astros, os girassóis, os ventos.
Mil caminhos se cruzam e tu feres a luz
com a negrura sábia do teu olhar maduro.
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