Escritas

Tronco Decepado

António Ramos Rosa Ano: 5750
Tentação de dizer:
as largas gotas
de madeira e paz,
os veios do sono materiais.
As fronteiras redondas: labirinto exibido.

Ó tentação: mais ser
de vegetal viver no já vivido
e por surpresa na seiva que já seca
acorda ao olhar o respirar de ver.

Morta ou calada,
minha cabeça assim se enche vaga,
do ar da árvore decepada:
um cheio de nada, um tronco de ar.

Assim cortada,
redonda face
no chão de liso amor
te calco e te decalco
no vão que eu próprio sou,
rasa garganta em veios duros e macios
de um tronco que não sei nem sou,
por ti respiro.
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