Escritas

A Pobreza de Certas Palavras

António Ramos Rosa Ano: 5749
É para ouvires o som de um buraco,
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.

O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.

Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.

A quebra muda, nem sequer um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.

Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres,
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.
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