As Tuas Armas São Lentas

António Ramos Rosa
António Ramos Rosa
1 min min de leitura 1970 Nos seus olhos de silêncio
As tuas armas são lentas
servas compreendem lúcidas reflectem
as tuas armas secretas e patentes
Sorves-te como um sopro em corpo e firmas-te

As tuas ancas desligam-se despenham-se
As tuas servas surpreendem
Nunca têm a febre alta
Caminham no silêncio das tuas pernas

As tuas armas são pequenas e longas
Tecem no espaço as linhas de uma águia
Desfazem um a um os mitos dos enlaces
A tua vista alcança o ponto cego da luz

A tua linguagem é o silêncio sem eco
Tornaste-te num muro alto que não vejo:
o espaço nu
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