Oh, Porque Sim
António Ramos Rosa
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Ano: 5749
E fa di clarità l’aer tremare.
GUIDO CAVALCANTI
Oh, porque sim,
mas não sombra de rosa,
ela mesma,
branca de lama, lama branca,
em vertical vertigem.
Oh, sim, porque o espaço treme
à sua marcha de flancos e de folhas.
Um botão negro e alvo.
A espuma de aranha do cabelo.
As pernas que alternam, fusos de água.
O odor do corpo em côncavo de onda.
Árvores ligeiras,
Oh, sim,
por sobre o verde chão nos desfaremos
em verde sangue
até aos lábios do ar, sob as cúpulas verdes,
a grande força aérea e calma em torno
numa só boca volante sobre o chão,
caída, desfeita, respirada.
GUIDO CAVALCANTI
Oh, porque sim,
mas não sombra de rosa,
ela mesma,
branca de lama, lama branca,
em vertical vertigem.
Oh, sim, porque o espaço treme
à sua marcha de flancos e de folhas.
Um botão negro e alvo.
A espuma de aranha do cabelo.
As pernas que alternam, fusos de água.
O odor do corpo em côncavo de onda.
Árvores ligeiras,
Oh, sim,
por sobre o verde chão nos desfaremos
em verde sangue
até aos lábios do ar, sob as cúpulas verdes,
a grande força aérea e calma em torno
numa só boca volante sobre o chão,
caída, desfeita, respirada.
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