Escritas

De Bruços Sobre a Margem

António Ramos Rosa Ano: 5748
A mão seca o abre: é um sabor vago.
Direitas letras: trémulas no branco.
Olhar a pele da face.
Uma diferença treme no vazio.

Jogar com, amar sem,
a forma justa à beira.
A boca sóbria e a mão deserta sobre.
Seria demasiado viva uma guitarra.

O olhar aflora: o branco o negro
sem vírgulas na rede exacta
a elegância paralela dos signos
na água.

Uma ordem desliza
e se perfaz em ramos.
A árvore surpreendente em cada folha.
Os seus caprichos verdes necessários.

Lenta paixão do olhar.

Poder horizontal
sem música.
Alimento tecido no vazio,
branca igualdade.

Concavidade súbita
mas plana no obscuro.
Seta que aponta sempre
ao branco intérmino.

Talvez só para chegar à mão.
Entre o olhar e a sombra.
Estar onde a chama
abre a distância mínima, informe.

A iminência de
um sopro que forme a boca
que sopre o sopro limpo:
a água vem à mão.

Sempre deserta, errante.
A sede que ondula o pulso:
aproximar o perto
de bruços sobre a margem.
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