À Luz Crua

António Ramos Rosa
António Ramos Rosa
1 min min de leitura 1966 Estou vivo e escrevo sol
Sob as palavras
a calma da estátua
ao sol na praça
levantada ofusca

unha de silêncio

pedra morte e sol.

De pó (esquecidos)
anos apagados,
flores sepultas,
rostos desabados,

rastos, tudo palmas
de cal, de muro
surdamente cabem
numa rota solar
— roda de pólen?

Força é de levantar
peso mortal
e rede embaraçada,
névoa sem peso

e ver claro e nu
a descalça e só
sede de beijar
lisa pedra da rua

virgem de tantos pés,
comum, total, já única,
povoada desliza.
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