Escritas

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António Ramos Rosa
ao Luís Pignatelli


De um olhar livre
se vive

Olhando a folha
abria-se

Da superfície ao fundo
exactamente assim

É um muro onde se vence
a inércia cega

O pó que pisas
é de um astro

A terra gira
em ti
devagar

É bom por vezes estar

Os olhos vêem dentro da tela

É uma tempestade
(mas não te abrigues)

O olho faz uma pausa
na espiral que te conduz ao silêncio

Lembras-te de um jantar antigo

É a língua da pedra

O olho faz-se víbora
e lambe o fogo

A terra é um planeta
são os teus pés que vêem

A tua mão tem olhos

Abriu-se o muro de dentro
Caminhas com teus olhos
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