Escritas

Tentando a Possibilidade

António Ramos Rosa Ano: 5744
Com o gosto obscuro da terra
de um corpo que abracei
— mais lento espero
mais dentro da noite estou.

Obscuro e nu procuro
esta evidência nova
— um rosto que consinto
ao ar presente, incerto.

O quarto não é uma caverna verde
— bate-lhe o sol tranquilamente.

Há um canto onde me insiro como um lagarto
entre duas pedras

mas nesta cadeira móvel
procuro dirigir os raios
tão lentamente quanto me é possível
sobre um objecto vivo

Que ele fale
que eu fale por ele
ou ele fale por mim
— que esta distância fale,
novo equilíbrio entre diferenças.
*
Violento o corpo,
água entre paredes, estrela presa
e firme, dentes claros,
água renovada surgindo boca a boca
— e firme e novo, água subindo,
paredes altas,
água que o vento alastra sobre as árvores,
cabelos que esvoaçam ao ar livre
e firme, um corpo novo entre a espuma.
930 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment