Escritas

Ter Um Braço de Barro, Um Braço Apenas

António Ramos Rosa Ano: 5741
a Alexandre O’Neill
Ter um braço de barro, um braço apenas
todo o carinho: terra!
Cabelos, telhas, livros, solidões
pedras e pedras, pedras
e ruídos doces de casas velhas de fundos corredores.
Um braço: uma raiz.

Um menino que mija no escuro sobre as estrelas
sobre o meu rosto:
no chão, na terra, nas pedras, no estrume,
irmão do insecto, obscuro, pesado
de muros, ervas, ossos e flores.

Um pássaro?
Um braço
Um braço de terra, pedras, ossos,
um braço: todo o carinho, terra.
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