Escritas

Soneto de dezembro

Edmir Domingues
De alcantis e falésias contemplamos
o barco abandonado às vagas pretas,
retrato de amplas naus catarinetas
coberto não de velas, mas de ramos

cortados quando antigas ampulhetas
e clepsidras que vão para onde vamos
não supunham verdade nestes gamos
que não fogem de galgos e trombetas

e vão conosco, flauta e sagitário,
aos vales de um dezembro extraordinário
feito de geometria e céu cinzento,

e sabem, como nós e o fauno infante,
se quebramos a bússola e o sextante,
da imprecisão de mapa e de instrumento.
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