Escritas

Soneto do azul e da busca

Edmir Domingues
Azul no chão que um príncipe há morrido
aqui, ou tinta azul foi derramada,
talvez, quem sabe?, à luz da madrugada
em que o amor foi contato e foi sentido.

Não desceria o céu sobre essa estrada
para torná-la azul no azul descido,
e a solução ê o sangue, o sangue tido
por nobreza que enfim não vale nada.

Eis porque deixo a vida e busco o poço,
para perder-me em nuvens de alvoroço
se não te achei, contigo a primavera.

A fumaça do gesto ao mar se arrase,
confio as ter, assim transponha o gaze,
que onde tempo não há não cabe espera.
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