sonetoVIII - Tão pouco

Grinaldas de papoulas eu te trago
agora que é preciso o sonho ardente,
e a caixinha de música é somente
magoado riso e nunca o riso afago.

De flores e silêncios me embriago,
de fantasmas sentidos de repente
quando falam de nós, timidamente,
dizendo ser distante e o porte vago.

E depois, nesse espanto que tonteia,
ver que há pássaros mortos sobre a areia
surpreendidos no voo ousado e louco.

Em luar de desespero e de descrença
somente evocações, nunca presença,
flores de nada ao que pediu tão pouco.
643 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.