Escritas

Soneto de Arquiduques

Edmir Domingues
Arquiduques de um reino soterrado
na planície de cal que nada altera,
bebamos essa luz de primavera
que desponta e que cresce a nosso lado.

Arquiduques sem fâmulos a espera,
sem a paz que respira o arquiducado,
residentes no sono prolongado
onde atua a mais lúcida atmosfera.

De um reino de glicínias arquiduques
não sorrimos às flores que são truques
de ébrios e maus prestidigitadores,

como as vossas, terrestres ou submersas,
nas terras e nas águas são diversas
das que estão sob a cal preciosas flores.