Escritas

Até ao fim

Nuno Júdice
Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que p poema acabe.


Nuno Júdice | "A pura inscrição do amor", pág. 29 | Publicações Dom Quixote, 1ª. edição. Jan. 2018
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Comentários (1)

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16alkaspoetry
16alkaspoetry
2018-03-14

Pode ser como uma refrega, outras vezes como um idílio... suave ou áspero o poema exige cuidado e esmero.... a recompensa, nem sempre chega bem... saludos alkas poetry