Escritas

As mortas

Sophia de Mello Breyner Andresen
Aquelas que morreram tinham, leve
Um halo em redor do seu sorriso
E tudo no seu ser era indeciso
Tocando de infinito o tempo breve.

Tudo quanto floresce delas vem,
Pois ficaram dispersas na paisagem.
Esquecidas de si não são ninguém,
Mas vagabundas são em cada imagem.



Sophia de Mello Breyner Andresen | "Dia do mar", pág. 88 | Edições Ática, 1974