Manhã

Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen
1 min min de leitura 1967 Geografia
Na manhã recta e branca do terraço
Em vão busquei meu pranto e minha sombra
*

O perfume do orégão habita rente ao muro
Conivente da seda e da serpente
*

No meio-dia da praia o sol dá-me
Pupilas de água mãos de areia pura
*

A luz me liga ao mar como a meu rosto
Nem a linha das águas me divide
*

Mergulho até meu coração de gruta
Rouco de silêncio e roxa treva
*

O promontório sagra a claridade
A luz deserta e limpa me reúne
3 465 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.