Floresta

Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen
1 min min de leitura 1947 Dia do mar
Entre o terror e a noite caminhei
Não em redor das coisas mas subindo
Através do calor das suas veias
Não em redor das coisas mas morrendo
Transfigurada em tudo quanto amei.

Entre o luar e a sombra caminhei:
Era ali a minha alma, cada flor
— Cega, secreta e doce como estrelas —
Quando a tocava nela me tornei.

E as árvores abriram os seus ramos
Os seus ramos enormes e convexos
E no estranho brilhar dos seus reflexos
Oscilavam sinais, quebrados ecos
Que no silêncio fantástico beijei.
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