Escritas

Catilina

Sophia de Mello Breyner Andresen Ano: 1790
Eu sou o solitário e nunca minto.
Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto.

De tudo desligado, livre sinto
Cada coisa vibrar como uma lira,
Eu — coisa sem nome em que respira
Toda a inquietação dum deus extinto.

Sou a seta lançada em pleno espaço
E tenho de cumprir o meu impulso,
Sou aquele que venho e logo passo.

E o coração batendo no meu pulso
Despedaçou a forma do meu braço
Pr’além do nó de angústia mais convulso.
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Comentários (1)

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Rubens Laino
Rubens Laino
2022-01-18

É sempre importante existir alguma opiniao ou manifestação contraria ao dito generalizado, Sophya ousou nesse belo poema indo contra a maioria da opiniao sobre Catlilina.