Escritas

Estela Funerária

José Miguel Silva Ano: 1917
Era um rapaz sem vocação para o caminho,
um arco sem arqueiro.
Chama-se Elpenor.

Mais do que a palavra preocupava-o a lama
na sandália do poeta,
a mancha no tapete.

Movia-o a coragem de estar só,
divisão dos que celebram
o massacre da esperança.

Caiu a sua casa, vendeu as suas veias,
partiu para o desastre,
chegou à nossa frente.
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