Um poema de amor, ainda
Um trabalho sonâmbulo corrói a vegetação. O vento
assombra o mutismo das suas folhas. Incham com a chuva,
grávidas de uma febre cinzenta. Arranco-lhes esse fruto
com mãos de crepúsculo.
Ponho-o na mesa onde me sentei contigo. Colho
o teu olhar triste; espalho-o no prato onde a vida
arrefece. Comemos devagar cada sílaba do amor que
nenhum de nós prenuncia.
E um coral de silêncio brota dos teus
dedos, enquanto te afastas.
Nuno Júdice | "Poesia Reunida", 2001
assombra o mutismo das suas folhas. Incham com a chuva,
grávidas de uma febre cinzenta. Arranco-lhes esse fruto
com mãos de crepúsculo.
Ponho-o na mesa onde me sentei contigo. Colho
o teu olhar triste; espalho-o no prato onde a vida
arrefece. Comemos devagar cada sílaba do amor que
nenhum de nós prenuncia.
E um coral de silêncio brota dos teus
dedos, enquanto te afastas.
Nuno Júdice | "Poesia Reunida", 2001
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