Escritas

Se já não torna a eterna primavera

Fernando Pessoa Ano: 598
Se já não torna a eterna primavera
        Que em sonhos conheci,
O que é que o exausto coração espera
        Do que não tem em si?

Se não há mais florir de árvores feitas
        Só de alguém as sonhar,
Que coisas quer o coração perfeitas,
        Quando, e em que lugar?

Não: contentemo-nos com ter a aragem
        Que, porque existe, vem
Passar a mão sobre o alto da folhagem
        E assim nos faz um bem.
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