Escritas

Hora a hora não dura a face antiga

Fernando Pessoa Ano: 598
Hora a hora não dura a face antiga
Dos repetidos seres, e hora a hora,
        Pensando, envelhecemos.
Tudo passa ignorado, e o que, sabido,
Fica só sabe que ignora, porém nada
        Torna, ciente ou néscio.
Pares, assim, do que não somos pares,
Da hora incerta a chama agasalhemos
        Com côncavas mãos frias.
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