Escritas

Quero versos que sejam como jóias

Fernando Pessoa Ano: 598
Quero versos que sejam como jóias
Para que durem no porvir extenso
        E os não macule a morte
        Que em cada cousa a espreita,
Versos onde se esquece o duro e triste
Lapso curto dos dias e se volve
        À antiga liberdade
        Que talvez nunca houvemos.
Aqui, nestas amigas sombras postas
Longe, onde menos nos conhece a história
        Lembro os que urdem, cuidados,
        Seus descuidados versos.
E mais que a todos te lembrando, escrevo
Sob o vedado sol, e, te lembrando,
        Bebo, imortal Horácio,
        Supérfluo, à tua glória...
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