Escritas

UMA VOZ: Silente, medonho,

Fernando Pessoa Ano: 602
UMA VOZ:

Silente, medonho,
Embebido em sonho
Sombrio e profundo
É o mistério do mundo.

                SEGUNDA VOZ:

Tecido de horrores,
Mordido de dores
Agudas de medo,
E do mundo o segredo.

                TERCEIRA VOZ:

Submerso
É o Ser do universo.

                UMA VOZ DOLORIDA

Mesmo que além do mundo (...) não seja
Ainda assim há-de sonho e dor,
Boca que ri, o lábio que beija
Seu ódio ter, ter o seu horror.
Nem só além do mundo há tristeza,
Silente horror o mistério tem,
Nem que humilde e com singeleza
Seja aqui DOR corno HORROR além.

Há muita voz — ouvi com espanto -
A quem dá o mundo (...) de chorar
Não só pensar tão triste o canto,
Basta viver, para soluçar.
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