Às vezes passam
Fernando Pessoa
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Ano: 602
Às vezes passam
Em mim relâmpagos do pensamento
Intuitivo e aprofundador
Que angustiadamente me revelam
Momentos dum mistério que apavora;
Duvidosos, deslembrados, confrangem-me
De terror que entontece o pensamento
E vagamente passa, e o meu ser volve
À escuridão e ao menor horror.
No sangue frio que nas veias minhas
Gira, no ar que sorvo, luz que vejo,
Circula, entra, nada-me uma dor;
E eu talvez à ternura outrora afeito
(Se o pensamento me não dominasse)
Sinto — como não sei — a alma mirrada
E pálida no ser.
Não é apenas, (...), o pensamento
Que assim me traz; é o pensamento fundo,
A consciência funda e absoluta
De todos os problemas minuciosos
Do mundo, transsentidos no meu ser.
Em mim relâmpagos do pensamento
Intuitivo e aprofundador
Que angustiadamente me revelam
Momentos dum mistério que apavora;
Duvidosos, deslembrados, confrangem-me
De terror que entontece o pensamento
E vagamente passa, e o meu ser volve
À escuridão e ao menor horror.
No sangue frio que nas veias minhas
Gira, no ar que sorvo, luz que vejo,
Circula, entra, nada-me uma dor;
E eu talvez à ternura outrora afeito
(Se o pensamento me não dominasse)
Sinto — como não sei — a alma mirrada
E pálida no ser.
Não é apenas, (...), o pensamento
Que assim me traz; é o pensamento fundo,
A consciência funda e absoluta
De todos os problemas minuciosos
Do mundo, transsentidos no meu ser.
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