Escritas

A Inocência Perdida

Fernando Pessoa Ano: 602
Tinha um campo alegre,
        Mas no ardor da febre
        Devastei-o, e então
        Semeei-lhe amores
        E nasceram flores
        De desilusão,

Tinha um barco lindo que pela água ia,
Como nuvem branda pelo brando céu
Carreguei-o d'oiro que o labor trazia
E soçobrou logo que vogar queria
E eu fiquei nas ondas sem o barco meu.

A jarra preciosa está partida
E nada valem os fragmentos seus;
A imagem do templo está caída;
Partiu-se. Era de barro. Os seus crentes,
perdeu-os.

Junta os fragmentos da jarra divina
E a jarra não fazem;
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