Escritas

Olho os campos, Neera [4]

Fernando Pessoa Ano: 598
Olho os campos, Neera
Verdes campos, e sinto
Como virá um dia
Em que não mais os veja.

Par de árvores cobre
O céu aqui sem nuvens
E faz correr mais triste
A viva e alegre linfa.

Mas por um só momento
Fugaz e passageiro
Esta ideia eu emprego
Para o seu uso triste.

Cedo me volve a calma
Com que me faço o espelho
Do céu imperturbado
E da fonte insciente.

Deixa o futuro, — porque
Não está aqui, não é nada;
Só o fugaz presente
Enquanto dura existe.

Vive a imperfeita hora
Sem olhar além dela
E sem nada esperares
Dos homens, nem dos deuses.
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