Escritas

No momento em que vamos pelos prados

Fernando Pessoa Ano: 598
No momento em que vamos pelos prados
E o nosso amor é um terceiro ali,
        Que usurpa que saibamos
        Um ao certo do outro,

Nesse momento, em que o que vemos mesmo
Sem o vermos na própria essência entra
        Da nossa alma comum —
        Lídia, nesse momento

De tão sentir o amor não sei dizer-to,
Antes, se falo, só dos prados falo
        E põe-se música ao meu
        Eros connosco invisível.
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