Escritas

Meu pobre Portugal,

Fernando Pessoa Ano: 599
Meu pobre Portugal,
Dóis-me no coração.
Teu mal é o meu mal
Por imaginação.

Tão fraco, tão doente,
E com a boa cor
Que a tísica põe quente
Na cara, o exterior.

Meu pobre e magro povo
A quem deram, às peças,
Um fato em estado novo
Para que o não pareças!

Tens a cara lavada,
Um fato de se ver
Mas não te deram nada,
Coitado, que comer.

E aí, nessa cadeira,
Jazes, apresentável.
(…)
O transeunte amável.
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