O cão que veio do abismo
Fernando Pessoa
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Ano: 597
O cão que veio do abismo
Roeu-me os ossos da alma,
E erguendo a perna — o que eu cismo —
Mijou no meu misticismo
Que me dava a minha calma.
O cão veio de onde dorme
Aquele anseio que tenho
Por qualquer coisa de enorme
Que indistintamente forme
A forma de quanto estranho.
E depois de isso completo
O cão que veio do abismo
Que estava inteiro e repleto
Fez sobre tudo o dejecto
Que é hoje o meu misticismo.
Roeu-me os ossos da alma,
E erguendo a perna — o que eu cismo —
Mijou no meu misticismo
Que me dava a minha calma.
O cão veio de onde dorme
Aquele anseio que tenho
Por qualquer coisa de enorme
Que indistintamente forme
A forma de quanto estranho.
E depois de isso completo
O cão que veio do abismo
Que estava inteiro e repleto
Fez sobre tudo o dejecto
Que é hoje o meu misticismo.
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