Escritas

Seria doce amar, cingir a mim

Fernando Pessoa Ano: 602
Seria doce amar, cingir a mim
Um corpo de mulher, mas fixo e grave
E feito em tudo transcendentalmente.
O pensamento impede-me e confrange-me
Do terror de ter perto e comungar
Em sensação ou ser com outro corpo.
Gelada mão misteriosa cai
Sobre a imaginação que nem em si
Me pode amante conceber.

Ó corpo! Amante, entrega-te! Talvez
Te salves entregando-te e amando!
Mas não! A consciência do mistério
Mantém-me isolado e em horror
Perante tudo.
                      Ah não poder
Arrancar de mim a consciência!
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