Escritas

E o sentimento de que a vida passa

Fernando Pessoa Ano: 602
E o sentimento de que a vida passa
E o senti-la a passar
Toma em mim tal intensidade
De desolado e confrangido horror
Que a esse próprio horror, horror eu tenho,
Por ele e por senti-lo, e por senti-lo
Como tal.
Feliz a humanidade que, a não ser
Em momentos febris e desolados,
Não sente o esvair da existência
(E há quem a sinta com tristeza imensa)
Mas eu... eu não a sinto fugir-me,
Penso-a a fugir-me e em lugar de tristeza
Só esse horror é meu, silente e fundo.
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