Escritas

Cuidas tu, louco Flaco, que apertando [1]

Fernando Pessoa Ano: 598
Cuidas tu, louco Flaco, que apertando
Os teus estéreis, trabalhosos dias
        Em feixes de hirta lenha,
        Cumpres a tua vida?
A tua lenha é só peso que levas
Para onde não tens fogo que aquecer-te,
        Nem levam peso ao colo
        As sombras que seremos.
Aprende calma com o céu havido
E com o pranto a ter contínuo curso.
        Não sigas a clepsidra
        Que conta a hora dos outros.
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