Escritas

Às Mães de Portugal

Florbela Espanca Ano: 687
Ó mães doloridas, celestiais,
Misericordiosas,
Ó mães d’olhos benditos, liriais,
Ó mães piedosas

Calai as vossas mágoas, vossas dores!

Longe na crua guerra
Vossos filhos defendem, vencedores,
A nossa linda terra!

E se eles defendem a bandeira
Da terra que adorais,
Onde viram um dia a luz primeira
Ó mães porque chorais?!

Uma lágrima triste, agora é
Cobardia, fraqueza!
Nos campos de batalha cai de pé
A alma portuguesa!

Pela terra de estrelas e tomilhos,
De sol, e de luar;
Deixai ir combater os vossos filhos
Ao longe, heróis do mar!

Dum português bendito, sem igual
Eu sigo o mesmo trilho:
Por cada pedra deste Portugal
Eu arriscava um filho!

Por isso ó mães doridas, pelo leito
De morte, onde ajoelhais,
Esmagai vossa dor dentro do peito,
Ó mães não choreis mais!

A Pátria rouba os filhos, mas é mãe
A mãe de todos nós
Direito de a trair não tem ninguém
Ó mães nem sequer vós!
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Comentários (1)

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Núria
Núria
2021-02-16

Árvores!Não choreis! Olhai e vede(verso 12) Quero conhecer as fíguras de estilos presente aqui