Escritas

Desdenhando

Florbela Espanca Ano: 1907
Irrita-me esse olhar tão de desdém,
Esse teu ar de superioridade,
Altivo para mim, como de quem
Olha de longe o mundo e a vaidade.

Sei que me tens amor e, na verdade,
De que serve fingir, se quem o tem
Nunca pode escondê-lo de ninguém;
E toda a gente o tem na nossa idade!

«Amor» — linda palavra, tão suave!
E riso de criança, trilo d’ave,
Renda tecida á noite plo luar!

Eu digo-a tantas vezes com fervor,
Que nem sei como ela, meu Amor,
Te custe urna só vez a murmurar!...

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