Escritas

A Uma Saudade

Florbela Espanca Ano: 1907
Roxa saudade, roxa! Triste... Triste!...
Um doce olhar aveludado e puro
Fazes surgir do meu passado escuro,
Na mesma dor imensa em que surgiste!

És cinza dum amor que Não existe!
Evocas na minh’alma o que murmuro
Sem saber o que, o que procuro
Na minha vida amargamente triste!

Roxa saudade, és um soluço imenso!
O símbolo de tudo quanto penso!
Única luz de tudo quanto eu vejo!

Roxa saudade! Ó meu perfume leve
És um amor que se esqueceu tão breve,
Que nem durou o frémito dum beijo...

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