Tarde de Música
Florbela Espanca
•
Ano: 1905
Só Schumann, meu Amor! Serenidade...
Não assustes os sonhos... Ah, não varras
As quimeras... Amor, senão esbarras
Na minha vaga imaterialidade...
Liszt, agora, o brilhante; o piano arde...
Beijos alados... ecos de fanfarras...
Pétalas dos teus dedos feitas garras...
Como cai em pó de oiro o ar da tarde!
Eu olhava pra ti... “É lindo! Ideal!”
Gemeram nossas vozes confundidas.
– Havia rosas cor-de-rosa aos molhos –
Falavas de Liszt e eu... da musical
Harmonia das pálpebras descidas,
Do ritmo dos teus cílios sobre os olhos...
Não assustes os sonhos... Ah, não varras
As quimeras... Amor, senão esbarras
Na minha vaga imaterialidade...
Liszt, agora, o brilhante; o piano arde...
Beijos alados... ecos de fanfarras...
Pétalas dos teus dedos feitas garras...
Como cai em pó de oiro o ar da tarde!
Eu olhava pra ti... “É lindo! Ideal!”
Gemeram nossas vozes confundidas.
– Havia rosas cor-de-rosa aos molhos –
Falavas de Liszt e eu... da musical
Harmonia das pálpebras descidas,
Do ritmo dos teus cílios sobre os olhos...
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