Escritas

Para quê?!

Florbela Espanca Ano: 696
Tudo é vaidade neste mundo vão...
Tudo é tristeza; tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!...

Beijos d’amor! Pra quê?!... Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só acredita neles quem é louca!
Beijos d’amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!...
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Comentários (1)

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Vanessa
Vanessa
2026-02-01

Um soneto cujo ritmo e sonoridade o torna memorável e que parece explorar a limitações da paixão humana, as desilusões no amor. Admiro os seguintes versos: "E mal desponta em nós a madrugada, Vem logo a noite encher o coração!" Ah, a fragilidade das coisas da vida... A noite que nos cai, após o riso da aurora!