Castelã

Florbela Espanca
Florbela Espanca
1 min min de leitura 1919 Livro de Mágoas
Altiva e couraçada de desdém
Vivo sozinha em meu castelo, a Dor...
Debruço-me às ameias ao sol-pôr
E ponho-me a cismar não sei em quem!

Castelã da Tristeza vês alguém?!...
– E o meu olhar é interrogador...
E rio e choro! É sempre o mesmo horror
E nunca, nunca vi passar ninguém!

– Castelã da Tristeza por que choras,
Lendo toda de branco um livro d’horas
A sombra rendilhada dos vitrais?...

Castelã da Tristeza, é bem verdade,
Que a tragédia infinita é a Saudade!
Que a tragédia infinita é Nunca Mais!!
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