Ó vagão vazio sobre o trilho morto

Ó vagão vazio sobre o trilho morto,
eis a mercadoria de entrechoques
e baques. Cheio agora pesas
sobre traves tensas;
mas em roucos arranques
desloca-se fumegante e vem
farejando com tétrico brilho
a máquina a subjugar-te.
Partes de teu ponto absorto
e vais no áspero rolar de aço
sacolejando ao atrito dos freios,
encadeado ao rebanho
por uma lei sem tamanho
que mantém aberto o caminho:
e arrastado transportas
e enrijecido não soltas
as forças inexprimidas
nas rodas parelhas e linhas
inconjugáveis e oprimidas
sob o céu que extravagante
no labirinto dos dias
no oscilar das estações
contra o tédio desata a eternidade,
rumo ao amor perfura o espaço extenso,
e não morre e queria, e não vive e queria,
enquanto a terra lhe pede o seu verbo
e apaixonada no querer acerbo
paga com sangue, sozinho, sua crença.

(tradução de Maurício Santana Dias)
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