Escritas

os zeros relativos

João Apolinário
Reduzo
o espaço
ao limite
do zero

nasce
o mundo
___

Não se pede à alma
que anteceda o corpo
se o nada só existe
depois de ser
concreto
____

Só das coisas reais
tenho o sentido
da transcendência

Não sei do homem mais
do que a essência
de ter vivido
____

Uma única
pétala
gera
um universo
de formas

em órbita
____

Tomo o ar
que respiro
e dou vida
aos deuses

invento a sombra
____

Do mar
faço a planície
para as estrelas
fecundarem a noite

os dinossauros
cantam
____

E da vida
faço este delírio
de batráquios
em fuga

roendo horizontes
____

Só na morte
ponho o zero
à esquerda
do zero

outro zero
começa
____

Depois
do ouro
velho
queremos
o vermelho

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