Escritas

Meninos Carvoeiros

Manuel Bandeira Ano: 1379
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha,
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)

— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
— Eh, carvoero!

Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados!

Petrópolis, 1921
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Comentários (2)

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Sophi
Sophi
2025-10-28

Esse poema retrata a injustiça vida dessas crianças, que em vez de estarem brincando estão tendo que trabalhar, além de ser de forma precária, por meio de uma linguagem simples o autor conseguiu expressar isso com clareza e leveza.

Nicolas
Nicolas
2021-11-16

Bom demais