Desejos Finais

Não quero
palavras que ecoem ocas, falsas;
não quero luzes
acesas,
velas brilhando,
apertos de mãos de peixe morto,
mãos de ovo,
mãos de bife,
nem abraços de Tamanduá,
nem beijos de Judas
quando a minha alma se desmontar
da carne
e amanhecer já noutra vida.
Morto, quero ficar em paz
poemamente versejando
e que o meu corpo
se desfaça no espaço da estrofe
e vire folhas,
páginas para quem me quiser ler.

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