Escritas

Inventar a verdade

Xavier Villaurrutia
Faço atento o ouvido ao peito,
como, na praia, o caracol ao mar.
Ouço meu coração latir sangrando
e sempre e nunca igual.
Sei por quem ele late assim, mas não posso
dizer o porquê será.

Se começasse a dizê-lo com fantasmas
de palavras e enganos, ao acaso,
chegaria, tremendo de surpresa,
a inventar a verdade.
Quando fingi que te amava, não sabia
que já te amava!

(tradução de Ricardo Domeneck)


:

Inventar la verdad
Xavier Villaurrutia

Pongo el oído atento al pecho,
como, en la orilla, el caracol al mar.
Oigo mi corazón latir sangrando
y siempre y nunca igual.
Sé por quién late así, pero no puedo
decir por qué será.

Si empezara a decirlo con fantasmas
de palabras y engaños, al azar,
llegaría, temblando de sorpresa,
a inventar la verdad:
¡Cuando fingí quererte, no sabía
que te quería ya!



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