Escritas

Recomeço

Moacy Cirne
Sei do sonho:
procuro tua sombra na
penumbra
da memória líquida
e nada encontro.
A lua não é vermelha
não é violetanão é verdecoisa
masos loucos da madrugada
anunciam as primeiras águas da manhã.
Sei do sonho?
Tua sombra pagãé um corpo que me fogedas mãos cansadas de espantos
e abismos.
A árvore sonolenta
anoitece os meus delírios.Não te vejo na claridade
do silêncio.O sol é um pássaro feridona solidãode meus gestos de meus gritos
e a hora cruvianaé uma graviola
grávidade aromas e carnes
pronta para ser saboreada.
Sei.Não foi um sonho.Como encontrar,
então,
naarquitetura fluvial
de meus quereres,
as linhase curvasde teu corpo barrento-canela?
Ah, não! Ah, sim!
Existe
umgrande sertãonas veredas da minha paixão.E eu sei do sonho.
Procuro tua sombra líquida
e nada encontro.
A lua não é verdeluã
mastua sombra pagãanoitece os meus delírios.
Como encontrar,sol e solidão,a arquitetura colonialde teu corpo fluvial?
Como encontrar,no silêncio de meus gritos,
tua sombra teus aromas tuas carnes?
Sim,
não.
Tua memória vermelha
é uma sombra grávida
de morenezas e reentrâncias
azuis.
Docemente azuis.
Barrentas e az
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