Escritas

Cântico do Filho Maior

António Osório
Ao Antônio Cândido

Cresce, filho!

Entre as duras colunas da morte
e não temas a sua altivez
Cresce, filho!

e deixa ferver o teu sangue difícil
na retorta de todos os amores

Cresce, filho!

e canta em dó maior os teus cânticos
sem temor às dissonâncias

Cresce, filho!

e planta se preciso tua semente no granito
porque se a irrigares de vigílias e suores
ela se fará em larga palma
que será baliza para os pássaros
receberá a visita das abelhas
e ajudará o vento a reger as suas orquestras.

Cresce, filho!

e faz de tua face uma lança
de tuas mãos um arado
de teus olhos uma chama

para construir da terra berço e templo
aos homens que estão em ti guardados.

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