Escritas

ANELO

Johann Wolfgang von Goethe
Só aos sábios o reveles,
Pois o vulgo zomba logo:
Quero louvar o vivente
Que aspira à morte no fogo.

Na noite - em que te geraram,
Em que geraste - sentiste,
Se calma a luz que alumiava,
Um desconforto bem triste.

Não sofres ficar nas trevas
Onde a sombra se condensa.
E te fascina o desejo
De comunhão mais intensa.

Não te detêm as distâncias,
Ó mariposa! e nas tardes,
Ávida de luz e chama,
Voas para a luz em que ardes.

Morre e transmuda-te: enquanto
Não cumpres esse destino,
És sobre a terra sombria
Qual sombrio peregrino.

(Tradução
de Manuel Bandeira)

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Comentários (1)

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Delauro
Delauro
2025-02-08

Falta a última quadra: "Como vem da cana o sumo / Que os paladares adoça, / Flua assim da minha pena, / Flua o amor o quanto possa!"